OS COMBOIOS NO BARREIRO : UM LEGADO, UMA MEMÓRIA,UM FUTURO [II]

C. A ROTUNDA DAS MÁQUINAS E O APEADEIRO DO BARREIRO-A

NOTA BIOGRÁFICA

     A Rotunda das Máquinas foi construída no Barreiro na década de trinta e é hoje uma das poucas que se mantém operacional no País. Equipamento característico e simbólico, com o seu «charriot» que já serviu a máquina a vapor e depois as máquinas diesel, e as suas cocheiras.

     O apeadeiro do Barreiro-A originário, era uma pequena plataforma em madeira, na primitiva linha do Sul, até à construção do apeadeiro no modelo ferroviário característico, na nova linha  mais a nascente. Este  último foi desmantelado em 2008, para a construção da novel estação do troço electrificado.

EVOCAÇÃO DA MEMÓRIA

AS GRANDES JORNADAS DE LUTA!

      A paragem total das Fábricas da CUF, em greve desde o dia anterior,juntou uma multidão que se partiu em duas direcções.  Uma para o Lavradio, Baixa da Banheira e Alhos Vedros (onde fez parar o comboio que vinha do Sul), a outra percorrendo as ruas da vila.

      Na manhã quente de 27 de Julho de 1943,uma mole humana cada vez mais numerosa, há medida que paralisavam as corticeiras (Herold, Cantinhos, Teodoro Rúbio…), e se juntavam os populares que faziam uma «marcha da fome» (a partir do Mercado 1º de Maio, com a Maria «Pintainho» e a Maria «Ramalha» à frente ), encaminha-se para os Paços do Concelho.A construção civil, alguns comerciantes, artesãs e mulheres do povo, faziam crescer a manifestação ao longo da rua Miguel Bombarda até à passagem de nível do Caminho de Ferro.

      No apeadeiro de madeira do Barreiro-A, um discurso improvisado aponta o caminho a seguir:« Vamos às Oficinas da CP, avisar os camaradas ferroviários!». Centenas de manifestantes, passando pela Rotunda das Máquinas, irrompem na nave imensa com um grito em formidável uníssono :«Parem! Parem! Parem!»

CRÓNICA BREVE

A VIAGEM CONTINUA…

       O comboio de turistas amantes da ferrovia e da arqueologia industrial, avança na nova Avenida dos Caminhos de Ferro, que rasgou a cidade de Nascente para Poente, em nova etapa que passa pela rotunda das máquinas e pelo apeadeiro do Barreiro-A, que agora serve o Metro Sul do Tejo.

       Há muito desapareceu o velho apeadeiro de madeira e o edifício subsequente de traça  tipicamente ferroviária, derrubado no início do século quando da electrificação do troço da linha do Sado,do Barreiro às Praias do Sado.Resta a sua memória registada num painel de azulejos que alinda o edifício, enquadrado na nova avenida que transfigurou toda a antiga área ferroviária tão carregada de memórias.

       A via férrea especialmente adaptada ao longo do corredor lateral, que também serve o Metro Sul do Tejo, começa hoje a ser utilizada, depois do periodo de recuperação e de resolução das questões de financiamento.

SINOPSE DE PROPOSTAS

       VII. A Rotunda das Máquinas, peça rara da arquelogia ferroviária, deve ser conservada e mantida em estado operacional, para apoio ao estacionamento do comboio turistico, e de outras  máquinas representativas da museologia ferroviária. 

       VIII. No apeadeiro construído em 2010, que servirá o futuro Metro Sul do Tejo, deverá ser instalado um painel de azulejos com o registo dos antigos apeadeiros do Barreiro-A, o primitivo em madeira, e o subsequente do plano ferroviário.

       VIII. A via recuperada para as visitas turistico-culturais, vai flectir para o Norte, no local  em que a Avenida dos Caminhos de Ferro (proposta), encontra a Alameda que vai até ao rio Tejo, e que por isso mesmo se deverá chamar Alameda do Tejo.

 Barreiro, 21 de Fevereiro de 2011

Armando de Sousa Teixeira  

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