A Arte do Cerco

Em 1885/86, levantamento da pesca no Tejo, Baldaque da Silva (1891)

“Na zona do estuário a que corresponde o Mar da Palha existiam na época três comunidades importantes: Seixal, Barreiro e Aldeia Galega(Montijo). Estas eram as comunidades verdadeiramente estuarinas que então havia, pois raramente saiam para o oceano ou se dirigiam para montante de Vila Franca, dedicando-se ao arrasto ou ao cerco (designação então utilizada para os tapa-esteiros) na zona “

* Aqui como noutros locais, todas as formas de arrasto levantaram (e levantam) problemas, havendo notícias de conflitos e de cartas régias reguladoras sobre diversas formas de arrasto no Tejo pelo menos desde o século XV (também sobre tapa-esteiros, que persistiram no Tejo até aos anos 1980).

A Arte do Cerco

A arte de pesca artesanal conhecida por “cerco”, estacada” ou “tapa-esteiros”, é uma arte com muitos séculos de vida, que foi praticada pelas comunidades piscatórias que viviam nas diversas vilas localizadas no estuário do Tejo.

No Barreiro, a comunidade piscatória exerceu esta actividade até ao Século XX, mais concretamente, até meados dos anos 80.

De Maio a Outubro, o cerco era armado na praia. As redes eram montadas em varas, espetadas no solo, numa camada argilosa, a que se chamava “salão” ou solão. Ficavam semi-enterradas na areia, durante a baixa-mar.
Durante a preia-mar, as redes eram levantadas e esticadas, a partir de uma embarcação especial, que tinha o nome de: “Canoa das Redes”.
Na maré vazia, recolhia-se o pescado que tinha ficado cativo nas redes.

Peixes do Estuario do Tejo

O Rio Tejo possuía uma riqueza natural, em termos de recursos piscatórios, oferecendo uma variedade de peixe e marisco, cuja captura tinha uma enorme importância na vida da comunidade, principalmente a nível económico, pois constituía uma fonte de rendimento para os pescadores locais.
O rio era rico em:(nas imagens) linguado, corvina, enxarroco, cação, robalo, enguia e ainda safio, tainha, lambujinha, camarão mouro, ostras, etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O “Bico do Mexilhoeiro”

O “Bico do Mexilhoeiro”, nome atribuído à zona ribeirinha onde predominavam os pescadores, indicia a presença no local, de “mexilhão” e outros moluscos.
Era igualmente um local rico em ostras. Acredita-se que, devido à poluição provocada pelo Complexo Industrial da CUF, vieram a desaparecer ao longo dos tempos.
A poluição, foi de resto, a causa principal que conduziu ao desaparecimento de várias espécies e ao declínio da actividade nas comunidades piscatórias da zona do Mar da Palha, no estuário do Tejo.

 

 

 

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