
Vinculados ao Barreiro, um
projecto de Carlos Silva Pais, brevemente online
Vinculados ao Barreiro é um Projecto do Carlos Silva Pais, que
pretende iniciar a divulgação do seu enorme espólio herdado. O projecto é inteiramente produzido por Carlos Silva Pais e, nesta primeira
fase, não está prevista a inclusão de publicidade.
Quando nos propusemos integrar este projecto, foi com a certeza de colaborar
na continuação de um trabalho de construção da memória que teve início na década de sessenta com a publicação,
apoiada pela CMB, de quatro volumes, a Monografia do Barreiro, um conjunto de obras bastante ilustrada e com
textos fundamentados em pesquisa duradoura e persistente.
É a Obra de Armando da Silva Pais, o segundo historiador Barreirense, depois
de José Augusto Pimenta, que constitui hoje uma referência para quem quer saber de onde viemos e o que
temos feito no passado, nesta nossa terra tão cheia de futuro.
Vinculados ao Barreiro tem como suporte a obra pesquisada e escrita,
conservada em arquivo até aos dias de hoje pelos descendentes de Armando da Silva Pais que dedicaram parte da sua vida
ao trabalho de conservação e preservação da memória da sua terra e do trabalho de seu pai conscientes da importância
que têm as recordações registadas como determinantes do que somos num presente que,
esperamos, tenha futuro.
www.vinculadosaobarreiro.com
Nótulas Introdutórias
Já todos nos
deixaram para sempre. Foram vultos vindos ao mundo no concelho do Barreiro, ou
barreirenses adoptivos, ou descendentes de barreirenses, ou então cidadãos
originários de outras terras que chegaram a residir no Barreiro. Ou daqueles que
conheceram na vila (depois cidade) momentos muito especiais, positivos ou
negativos. De qualquer modo, todos eles ficaram VINCULADOS AO BARREIRO. E
desejamos contribuir para que fiquem ainda mais…
Iremos encetar
este trabalho honrando alguns dos que, em especial, se destacaram na
benemerência, na filantropia, no jornalismo, na poesia, na literatura, na
música. Também gostaríamos de dar ênfase às chamadas figuras populares, ontem
tão disseminadas, hoje bastante reduzidas. Projectamos também vir a lume com
pequenas crónicas biográficas alusivas aos ligados aos espectáculos, ao
desporto, ao associativismo, onde o Barreiro há boas décadas se patenteou como
localidade sui generis no panorama nacional.
Nunca
regateámos, nunca regatearemos o Barreiro, nossa terra natal, mas – confessamos
– já não o sentimos acrisoladamente, desmesuradamente, como noutros tempos.
Porquê? Terá
sido porque em 1965 nos ausentámos para a democrática Confederação Helvética,
refazendo a vida? (Essa nossa “deserção” ocorreu precisamente dois dias antes da
inauguração da estátua ao industrial Alfredo da Silva na avenida mais relevante
do Barreiro). Fizemos a primária e brincámos na parte antiga da vila, que nos
dias de hoje parece cair aos bocados. Sim, o Barreiro já não se encontra tão
apegado ao coração deste escrevinhador. A despeito de algumas evoluções felizes
transcorridas aqui à volta do estuário do Tejo…
O Barreiro de
hoje, residencial e de serviços (alguns aplicam-lhe o apodo de “dormitório”)
faz-nos lembrar a então vila de Almada na nossa juventude. Nós, lá no segundo
ciclo do Passos Manuel, éramos conhecido de tantos simplesmente por “o
barreirense”, quando naquele liceu estudavam umas duas a três dezenas de nossos
conterrâneos. Tínhamos “pena” de muitos colegas da nossa margem do Tejo que em
nada se orgulhavam de ter nascido, por exemplo, em Almada. E quanto ao desporto,
seus amores clubistas eram distribuídos, com fervor – “ imagine-se” – pelo
Sporting, Benfica ou Belenenses, não pelos clubes da terra natal. Aquilo não nos
dava para acreditar, mas era assim… Não podemos deixar de sentir o Barreiro de
hoje como bastante … “almadizado”…
É autêntico. Em
tempos que há muito lá foram, na primeira parte de nossa existência, a vila –
que tinha sido dos pescadores e agricultores – passara para os ferroviários,
corticeiros, cordoeiros, trabalhadores da CUF e … guardas-republicanos a cavalo.
A localidade sobressaía imenso no contexto nacional. Porém, tal em nada impedia
que o Barreiro fosse, em geral, muito malquerido, do Norte a Sul. Mas invejado,
por classes obreiras de outras terras. Por isso era natural que tantos
demandassem o Barreiro a fim de procurar melhorar o nível de vida.
E hoje como é?
Hoje não se poderá afirmar que a nossa cidade seja invejada neste país
periférico à beira-oceano plantado. Noutras paragens parece que já não se liga
assim tanto à nossa antiga metrópole do trabalho. Se o Barreiro até surge tão
pouco nos tão “educativos” diários desportivos.
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Herdámos, com o
sangue, o apego à escrita na imprensa. (Mas não para trechos de ficção ou para a
poesia…). Nosso progenitor salientou-se como colunista e publicista, como seu
irmão, e ainda mais um primo direito. Nosso bisavô materno assumiu-se como
editor do primeiro jornal saído no Barreiro, ano 1898. (Acentue-se que nosso pai
se destacou também como o segundo historiador das origens e do pulsar do
Barreiro. Quatro grossos volumes monográficos atestam-no, saídos de 1963 a 1971,
tidos como dos melhores do seu tempo a nível nacional. E nós honramo-nos em ter
colaborado para “O Barreiro Contemporâneo II” no tocante aos dados referentes à
quase heróica vertente desportiva cá vivida. Possuímos a prova escrita do que
afirmamos…).
Desde sempre
juntámos, compusemos elementos sobre personagens relevantes da nossa terra. Para
o presente capítulo da nossa vida escorámos em nossas memórias, em notícias da
imprensa local e lisboeta, em relatos de nossos familiares (quase todos já
idos), em mais de duas centenas de nossas entrevistas a personagens mais idosas,
vindas a lume em dois semanários locais, em especial desde 1997. O material
obtido tinha obrigação de ganhar certa robustez. Agora resumimo-lo,
compilámo-lo, agregámos – sempre que possível – bom número de fotos, em
Artbarreiro.com. Caso alguém detecte alguma falta, ou sinta ter que apresentar
qualquer sugestão, queira fazê-las chegar ao conhecimento de quem aqui assina.
Lista Negra (ou Blacklist)
Alegadamente
existe no Barreiro, a nível oficial, uma lista negra de nomes de pessoas
vinculadas ao Barreiro de grande relevo em épocas anteriores à presente
República, que parecem ter “caído em desgraça”. Que, a despeito de muito
apreciáveis acções ou obras de que os habitantes da vila tanto beneficiaram, não
lhes foram concedidos, mesmo a título póstumo, galardões de reconhecimento, seja
em diplomas, seja na toponímia. Claro que não poderá ser confirmada a existência
de tal lista negra (se se quiser, blacklist). Mas, para muitos, é
ponto assente que tal “rol” existe.
Avançamos
apenas um caso… O daquela senhora natural do Barreiro, poetisa nata, autora de
bem extensa e linda colecção de poemas (boa parte sonetos). Durante décadas
publicou suas trovas em especial no “Jornal do Barreiro”, também em publicações
de outras localidades. Muito cantou ela temas barreirenses, como os
trabalhadores, os lugares da vila, as fábricas, os moinhos, o Tejo, as Festas da
Sra. do Rosário, numerosas figuras locais (e nacionais). Temos conhecimento de
ela ter sido proposta mais que uma vez para prémios autárquicos locais. Foi
rejeitada. Recebeu distinções de outras terras, mas não da sua terra natal…
Faleceu idosa em 2007, após prolongada doença, sem ter sido distinguida – tão
injustamente – com uma honra barreirense. Ela nem sequer foi de “políticas”.
Terá a senhora – pergunta-se – composto versos a alguma personalidade a quem uns
tantos consideram nunca o dever ter feito? Quem saberá responder? E se a
resposta for positiva, terá ela invalidado todos os belos momentos, as alegrias,
que os seus poemas, os seus livros, proporcionaram a gerações de barreirenses? A
alguns parecerá que sim. Uma tristeza camarra…
Mas atenção… Se
aquilo que aqui deixamos registado sobre a alegada lista negra não
possuir qualquer fundamento, se tudo constituir não mais que resquícios
maldosos, insinuações totalmente desprovidas de veracidade, então pedimos mil
perdões. Mea culpa, também pelos outros que pensam do mesmo modo que nós.
Mas seria, talvez, positivo, se laborássemos em erro… Nesse caso, que os dados
contidos em nossas resenhas biográficas, presentes e futuras, destes VINCULADOS
AO BARREIRO, venham um dia a ser úteis à memória daquela poetisa e de outras
figuras barreirenses de muito gabarito. Para que elas venham a receber - pelo
menos postumamente, claro - os galardões a que fizeram jus.
Que aqui fique
assinalado que a escolha das figuras incluídas nos VINCULADOS AO BARREIRO não
dependerá das suas ideologias. Para nós, a idoneidade é, de longe, mais
relevante.
Carlos Alberto
Mano da Silva Pais
(Nascido no Barreiro no
dia de São João de 1940)