CPPME SOLIDÁRIA
Durante a última semana viemos a saber que os Grandes Consórcios Nacionais da
Distribuição estão preparar-se para um autêntico “golpe de teatro” laboral.
Fundamentam que para o desenvolvimento da sua actividade que
os seus trabalhadores têm que passar a laborar mais 20 horas semanais do que
aquelas que estão previstas na Lei. Assim, pela lógica destes senhores, os
assalariados deixariam as normais, clássicas e seculares 40 horas de trabalho
semanal para uma clara “escravidão” de 60 horas, que faria com que o trabalhador
vivesse em completo matrimónio com estes “monstros sagrados”, que por acaso até
são os mesmos, que têm vindo a dilacerar as Micro e Pequenas Empresas do sector
do Comércio e a própria saúde dos diversos pólos urbanos nacionais.
A CPPME, considera este pedido, pensamento ou seja lá o que
for, um autêntico ultraje. É uma vergonha o que se está a passar com esta
situação. Esta “gente” que detém uma percentagem altíssima de trabalhadores
precários, ainda tem a lata de vir a assumir tais posições. Mais, sabemos
igualmente que esta solução se destina directamente aos milhares de
trabalhadores envolvidos, mas não deixa de voltar reincidir sobre outra vertente
paralela a esta, o facto destes deixarem, de vez, de ter tempo para consumir nas
Micro e Pequenas Empresas de cada localidade deste país, passando na íntegra a
absorver-lhes, no consumo feito nas Grandes Superfícies, muito do salário que
lhes havia sido pago pelos mesmos, uma vez que como é sabido, os “cogumelos
irados” situam-se por todo o lado neste pequenino Portugal.
Gostaríamos de voltar a relembrar igualmente, que andam por
aí os representantes destes senhores, na concertação social, a defenderem um
aumento mais reduzido do salário mínimo em relação ao que havia sido assinado
por todos os parceiros. Voltando com a palavra atrás, defendem agora, à revelia
do que assinaram não honrando os compromissos assumidos de um salário mínimo de
475,00€, um aumento dos actuais 450,00€ para 460,00€ invocando a conjuntura. A
CPPME, representante das Micro e Pequenas Empresas deste país questiona:
a) Será que um acordo firmado não é para ser cumprido? Até no
Direito Internacional, este aspecto é fundamental, princípio da “pacta sunt
servanda”.
b) Será que quem advoga tal solução tem noção do seu
miserabilismo?
c) Onde reside afinal o poder de compra que dinamiza a
economia?
A CPPME, tal como em tempo útil referiu, mantém o desígnio de que a economia só
evolui se os grandes colossos comerciais – económicos nacionais lucrarem com a
sua actividade mas tendo muita, mas muita responsabilidade social na sua prática
laboral, ambiental e económica, a par, claro, da parte substantiva do tecido
produtivo nacional, as MPE’s – Micro e Pequenas Empresas.
Por tudo isto firmemente continuamos a pugnar pela entrada da
CPPME no seio do Conselho de Concertação Social. Aliás, gostaríamos de relembrar
que esta reivindicação remonta a longa data. Entre outros jornais da época,
basta ver o que dizia o Correio da Manhã de 31/10/87, destacamos, o Titulo da
Notícia (PME NA CONCERTAÇÃO SOCIAL) e o 1.º parágrafo (A CPPME, reivindicou
ontem a admissão ao Conselho Permanente da Concertação Social e ao Conselho
Económico das Comunidades Europeias).
A Direcção
Arrentela – Seixal, 18 de Dezembro de 2009