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OS COMBOIOS NO BARREIRO

"O transporte ferroviário - o comboio – foi o paradigma do desenvolvimento do Barreiro no século XIX...."
"O Centro Histórico Ferroviário do Barreiro, que comemora os seus 150 anos em 2009/2011..."
"A Linha do Sado não foi electrificada no troço Pinhal Novo-Barreiro, desvalorizando a ligação fluvial..."
"Qual o paradigma de desenvolvimento do Barreiro no século XXI?.."
"..Saudar a construção da 3ª Travessia do Tejo Chelas-Barreiro..."
"..A ligação fluvial e o comboio suburbano (Linha do Sado) deverão manter-se activos..."
A VIAGEM
As azinhagas e as casas senhoriais com quintas de árvores frondosas, do imaginário da infância, deram lugar a construções modernas de volumetria média e arquitectura cuidada. As memórias do velho Sanatório do Lumiar (Hospital Pulido Valente) e da casa “assombrada”, a caminho, sempre apressado em tempos de tropa, da Escola Prática de Administração Militar, na Alameda das Linhas de Torres, são substituídas quarenta anos depois, pela viagem simpática e pela reunião cordial com a Administração da FERBRITAS, empresa de estudos e projectos ferroviários, de capital público(100% REFER).
Receberam o dossier-conclusões sobre “Os comboios no Barreiro; o Passado, o Presente e o Futuro”, sublinharam as conclusões, bem estruturadas, disseram, e quiseram conversar com o Movimento Barreiro, Património, Memória e Futuro.
2. A APRESENTAÇÃO
A. O BARREIRO IGNORADO
O transporte
ferroviário - o comboio – foi o paradigma do desenvolvimento do
Barreiro no século XIX, e continuou muito importante até aos
finais do século XX. Mas o riquíssimo património ferroviário do
Barreiro está hoje praticamente ignorado e corre o risco de
destruição:
a) As Oficinas e a primitiva Estação, construídas em 1859, mais antiga que a Estação de Stª. Apolónia;
b) A estação fluvial-ferroviária, ex-líbris do Barreiro ribeirinho, construída em 1884, ex-términus das linhas do Sul e Sueste;
c) A Rotunda das máquinas, única ainda operacional no país, e Material Diesel desaproveitado ou abandonado;
d) O Bairro Ferroviário e a Casa dos Ferroviários, do início do século XX, muito degradados; constituem aquilo a que chamamos, propondo, o Centro Histórico Ferroviário do Barreiro, que comemora os seus 150 anos em 2009/2011.
B. O BARREIRO ESQUECIDO
A indústria
química pesada, paradigma do desenvolvimento do Barreiro no
século XX, foi aqui implantada porque existia o terminal
ferroviário. Mas nos últimos anos foram-se perdendo valências,
quer na indústria quer no transporte ferroviário que empobreceram
o Barreiro:
a) A Linha Regional do Alentejo passou a terminar no Pinhal Novo, vindo o comboio em “marcha” (situação em parte rectificada)
b) A Linha do Sado não foi electrificada no troço Pinhal Novo-Barreiro, desvalorizando a ligação fluvial.
c) Não foi electrificada a ligação ao ramal industrial mais antigo do país, ainda em actividade – Quimiparque/CUF –ADUBOS.
d) Faltam ligações rodoviárias no âmbito da Península de Setúbal, á estação de Coina da actual Linha do Sul-Fertágus.
A não electrificação, modernização da Linha do Sado é um “esquecimento” cívico e económico imperdoável.
C. O
BARREIRO “RENASCIDO”
As terras, como as pessoas, muito além de qualquer dogma transcendental, têm a possibilidade de renascerem, de ultrapassarem as depressões, de trilharem os caminhos do desenvolvimento sustentado (o que é a mesma coisa que crescimento!).
Para tal é necessário definir, com a participação dos cidadãos e a contribuição de técnicos exprimentados, as estratégias para os caminhos do futuro.
Qual o paradigma de desenvolvimento do Barreiro no século XXI?
3. A REUNIÃO
A FERBRITAS é a empresa de engenharia ferroviária por excelência, dedicada ao estudo-projecto-planeamento de tudo o que respeita às infraestruturas ferroviárias em Portugal. No que ao Barreiro interessa desenvolve estudos referentes ao TGV/CAV (Comboio de Alta Velocidade) e Metro Sul do Tejo:
TERCEIRA TRAVESSIA DO TEJO/TGV
- Uma decisão
muito cara, para décadas, deve ser estudada com rigor,
flexibilidade e visão estratégica. Um elemento estruturante na Àrea Metropolitana de Lisboa, potenciador de ganhos na Peninsula
de Setúbal, em particular no Barreiro.
- A alta velocidade não pode desligar-se do transporte ferroviário convencional. Os dois deverão coexistir na 3ª TTT, segundo solução técnica adequada. A linha convencional deverá ter uma estação no Lavradio-Barreiro.
- A Gare do Oriente assumirá uma importância fundamental no novo contexto da alta velocidade/convencinal, mas á sua volta os terrenos são muito caros! Perspectiva-se para o Barreiro uma segunda linha de apoio material e possivelmente de apoio oficinal.
- A TTT não deverá ser rodoviária, para não meter mais carros em Lisboa, mais estrutura rodoviária significa mais problemas. Mas deverá ficar com a possibilidade técnica de reconversão rodoviária.
METRO SUL DO TEJO
- Em conclusão a 1ª fase na
região de Almada. A 2ª fasse (Fogueteiro/Seixal) e a 3ª fase
(Lavradio/Barreiro), só avança se a exploração actual atingir
determinada banda de nível de resultados. Ou se o Estado avançar
como proprietário da obra!...
- Até lá a ligação fluvial e o comboio suburbano (Linha do Sado) deverão manter-se activos.
- A implantação do MST deverá ser cuidadosamente estudada do ponto de vista da viabilidad económica. O transporte rodoviário de autocarros poderá ser alternativa.
4. AS NOSSAS OPORTUNIDADES PARA O FUTURO
O Movimento Barreiro,
Património, Memória e Futuro, aproveitou a conversa cordial para
em síntese da reunião vincar algumas das “oportunidades para o
futuro”, já constantes do seu dossier de apresentação-conclusões:
A. Saudar a construção da 3ª Travessia do Tejo Chelas-Barreiro, a passagem do comboio de alta velocidade/TGV, e a oportunidade que se oferece de instalar no espaço próprio já existente, com óptimo ordenamento, o parque material e o apoio oficinal. Em contrapartida deverá ser garantida a preservação da memória das Oficinas dos Caminhos-de-Ferro, do antigo Terminal Ferro-Fluvial, da Rotunda, de material Diesel, da ligação histórica á Quimiparque-Cuf, do Bairro Ferroviário e da Casa dos ferroviários.
B. Vincar a importância da valência rodoviária da futura TTT, segundo uma tendência naturalmente já admitida, Chelas-Barreiro, exactamente no sentido primordial dos comboios de alta velocidade, Lisboa-Madrid, numa perspectiva de desenvolvimento da península de Setúbal, criando novas vias de comunicação, descentralizando serviços, enfim melhorando as acessibilidades sobretudo no sentido capital -península. Ou seja não levando mas trazendo carros de Lisboa!
C.
Relembrar a necessidade urgente da electrificação do troço Pinhal
Novo – Barreiro, melhorando e modernizando toda a linha do Sado,
(Barreiro - Praias do Sado), valorizando simultâneamente a
cómoda, rápida e rentável travessia fluvial do Tejo a caminho da
Zona Baixa de Lisboa, mantendo e melhorando o actual Terminal
Rodo-Ferro-Fluvial, um importante investimento situado na óptima
zona de aguas tranquilas na confluência dos rios Coina e Tejo. A
linha do Sado, modernizada, servindo núcleos suburbanos em
expansão, deverá continuar como serviço público de elevada
rentabilidade, com pés para caminhar para no futuro.
D.
Relembrar a importância da expansão do Metro Sul do Tejo,
independentemente da sua rentibilidade nesta 1ª fase, como
potenciador dum ancestral sonho das gentes ribeirinhas do
Barreiro e do Seixal, melhorando as acessibilidades dos dois
concelhos irmãos do Tejo e distantes quase 20 quilómetros por
estrada.
A ponte de ligação Seixal-Barreiro, com as valências ferro e rodoviária deverá entroncar perto do actual terminal, mais valorizando a sua existência e da Linha Suburbana do Sado terminando na velhinha estação recuperada, um ex-líbris do Barreiro, como bem se faz por essa Europa fora!
12-04-2007
MPMF
12.03.2008. 01:59