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O MBPMF na sua reunião de 30/1/08, analisou o projecto intitulado “Centro do
Barreiro”, agora em discussão pública, seguindo a linha de reflexão já
concretizada em documento público. Resolveu tomar posição sobre o mesmo, dando
assim a sua contribuição cívica.
A. ASPECTOS POSITIVOS
1. A decisão da CMB de manter e melhorar o mercado municipal 1º de Maio, no
coração do Barreiro, local de comércio tradicional, de tertúlias e convívios, de
notícias e afectos, de tradição, memórias e ânsias de futuro.
2. O arranjo urbanístico exterior do novo edifício do mercado, preocupado com a
futura integração na previsível (desejada) regeneração do Barreiro Velho, e a
sua orientação “vis-a-vis” com o Tejo, na desejável abertura para a milenar
bacia – mater.
3. A adopção de parte dos elementos arquitectónicos do actual edifício do
mercado, ultrapassando tibiezas e “manias de grandeza”. O futuro edifício, para
além das modernas funcionalidades, deve respeitar a memória colectiva dos
barreirenses.
B. ASPECTOS NEGATIVOS
1. Sendo assim, em nosso entender, deixam-se “cair” demasiados elementos
arquitectónicos históricos (da origem do edifício em 1917) que o não deveriam
ser. Os elementos originais (platibanda de merlões, arcos de ferradura de
inspiração hispano-árabe em tijolo burro, portas e janelas de ferro trabalhado,
os peais em cantaria etc.) não devem ser perdidos na futura arquitectura.
2. Esta asserção é válida em nosso entender também para a frente poente do novo
edifício, ainda que inseridos tais elementos de uma forma estilizada, numa nova
“linguagem contemporânea”, para utilizar a expressão do documento público.
3. Não fica clarificado de uma vez por todas, o futuro da estátua de Alfredo da
Silva e dos elementos artísticos adjacentes em calçada portuguesa. Talvez seja
pertinente relembrar a proposta concreta feita pelo MBPMF há alguns meses.
4. Como também não está claro se haverá uma reestruturação do Parque Catarina
Eufémia, inserida na dinâmica da “nova praça”que deverá ser, e muito bem, “uma
plataforma de entrada no Barreiro Velho”, criando um segundo eixo Norte /Sul de
recuperação do rio para cidade.
C. AS NOSSAS SUGESTÕES
1. Na decoração interior do futuro edifício deverá ser considerado a construção
de elementos (painel de azulejos, por exemplo) que retenham a memória do
primeiro parque infantil do Barreiro, que funcionou mesmo em frente, durante
tantos anos.
2. Da mesma forma (painel de azulejos ou exposição permanente de quadros
fotográficos) deverá ser “contado” às novas gerações, o episódio da detenção de
um grupo de jovens barreirenses, em Janeiro de 1972, por um fiscal da Câmara,
posteriormente entregues à policia politica, que distribuíam cravos vermelhos e
recolhiam dádivas para as centenas de presos políticos em Portugal.
3. A memorável “marcha da fome”, com a Maria “Pintainha” e a Maria “Ramalha” à
frente, atravessando o mercado em Julho de 1943 e levando no fervor da luta,
comerciantes e clientes no protesto comum, também deve ser “contada”!
4. A estátua do industrial fundador Alfredo da Silva, com tudo o que de bom e de
mau trouxe ao Barreiro, e a zona envolvente de concepção artística, deverá ser
enquadrada num futuro memorial condigno, na área do Mausoléu e da Casa Museu, na
perspectiva de uma previsível grande praça no ordenamento futuro da Quimiparque.
5. A haver uma reestruturação do parque Catarina Eufémia, mínima em nosso
entender, sem “roubar “ nada do que lhe é característico, deverá ser tido em
conta um pequeno mas significativo “memorial” que “conte” as jornadas heróicas
ali vividas em 1943, 1962, 1965,1971 e 1972, de luta contra as forças
militarizadas ocupantes e contra o regime fascista mandante.
31-1-2008
MOVIMENTO BARREIRO PATRIMÓNIO MEMÓRIA E FUTURO
12.03.2008. 00:03
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