![]() |
![]() |
9ª Etapa: Barreiro
Na última crónica referimos de forma sucinta os Fornos Cerâmicos da Mata da Machada, o Complexo Real de Vale de Zebro, a Feitoria do Rio da Telha. Nesta 9ª e última Etapa, antes de nos despedirmos dos nossos leitores, conforme o prometido abordaremos de forma, também, muito breve mais dois significativos exemplos deste nosso destino industrial, anterior ao processo de industrialização, iniciado em meados do SÉC XIX.
A REAL FÁBRICA DE VIDROS CRISTALINOS DE COINA
Foi uma importante manufactura, estabelecida na Vila de Coina na 1ª metade do SÉC XVIII, beneficiando das areias existentes e indispensáveis ao fabrico do vidro, das matas de boas madeiras para alimento dos fornos e da escolha que técnicos vidreiros estrangeiros fazem do local. Esta manufactura enquadra-se num momento especial da política económica do Estado Mercantilista – Reinado de D. João V.
Por esta unidade passaram nomes do vidro de renome internacional e o local foi um cadinho de experiências e sínteses importantes. Coina foi uma das primeiras experiências modernas da manufactura vidreira de Península Ibérica, anterior à fundação da famosa fábrica de Santo Ildefonso, em La Granja (Segóvia).
Os achados dos campos arqueológicos dirigidos pelo Dr. Jorge Custódio, bem como os estudos que efectuou revelam uma gama muito variada de cores e a produção de frascaria e de garrafas, incluídas no fabrico de embalagens em série.
Com o encerramento em Coina, a unidade transfere-se para a Marinha Grande, onde o seu administrador introduz a indústria do vidro.
Segundo o mesmo estudioso, autor de um magnífico livro sobre a Real Fábrica de Vidros Cristalinos de Coina, o apogeu da empresa dos Stephens, na Marinha Grande, só é possível como produto de um processo de continuidade, entre Coina e a Marinha, explorador do catálogo e das técnicas da Real Fábrica de Vidros Cristalinos.
AS UNIDADES MOAGEIRAS
A nossa actividade moageira é antiga e relevante, as primeiras notícias que nos chegam datam do início do SÉC XIV e são relativas a Coina, zona onde terão existido vários moinhos de maré e azenhas. De acordo com os levantamentos realizados pelo Dr. Jorge Custódio laboraram no Estuário do Tejo 41 moinhos de maré, dos quais 17 se situavam entre as povoações de Coina e Lavradio, mostrando que o Barreiro tinha a maior concentração de moinhos de maré do Tejo. Entre o SÉC XVIII e finais do SÉC XIX instalam-se mais 10 moinhos, agora de vento.
Este peso da indústria moageira no território do Barreiro ficou a dever-se a diversos factores: a geografia do terreno, os ventos dominantes, a proximidade à capital e o seu abastecimento e mais uma vez à necessidade de produção, em grande escala, da bolacha de embarque.
Entre os moinhos de vento salientamos a tecnologia revolucionária do portentoso moinho do Barão do Sobral, construído na Ponta do Mexilhoeiro e o moinho Gigante de Alburrica, cuja tipologia fazem dele caso único no Portugal de hoje.
Ainda, segundo Jorge Custódio a construção do moinho gigante do Barão do Sobral “… era já uma ruptura significativa na paisagem rural. Isto significa que se admite que a moagem teve um papel pivô no processo de transformação do Barreiro. Pode, talvez, considerar-se como o 1º surto industrializador que, se não criou uma vila industrial, pelo menos a fez entrar na era da proto-industrialização.”
Necessariamente, voltaremos à temática aflorada, de forma breve, nestas duas últimas crónicas, porque nela está contida a especificidade da nossa história e identidade.
O Barreiro será um caso único a merecer estudo e reflexão, não só a nível local, porque, neste território, é possível contar e mostrar a história do desenvolvimento industrial, desde a instalação de unidades manufactureiras até ao processo de industrialização, que nesta nossa terra tem uma expressão nacional impar. E toda esta história apresenta uma diversidade de produções industriais com relevo regional, nacional e internacional, ancoradas no Estuário do Tejo, lugar de importantes sínteses culturais e técnicas.
Na realidade a Freguesia do Barreiro, onde terminaremos esta viagem, é exemplo eloquente, pelo património histórico referido à proto-industrialização e à industrialização.
Podemos, entre outros, salientar: os moinhos de maré e de vento, as moagens industriais, os restos da antiga e importante actividade corticeira, as chaminés ligadas às diversas indústrias,
a Estação Fluvial, a Rotunda das Máquinas, as Oficinas da CP,o Complexo Industrial que aqui se instala no início do SEC XX.
Despedimo-nos de todos os que connosco quiseram viajar com um até já e mais uma fotografia comentada sobre o Barreiro
|
ROTUNDA DAS MÁQUINAS: ou “Cocheira das Máquinas”, datada de 1886, é uma estrutura arquitectónica semi-circular. Alojava 20 locomotivas a vapor, que através de charriot entravam e faziam inversão de marcha. Exemplar raro deste tipo de construção ferroviária, com a sua dimensão é já peça única no País. |
|
ASSOCIAÇÃO BARREIRO – PATRIMÓNIO, MEMÓRIA E FUTURO
22.06.2010. 00:40
Este artigo ainda nao foi comentado
Escreve e comente
* = Requere preenchimento