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8ª Etapa: Barreiro
Antes de iniciarmos a nossa visita, vamos cumprir o prometido para esta etapa, que se prolongará em crónica por duas semanas. O Processo de Industrialização teve no Barreiro uma dimensão única e exemplar no todo nacional.
Este processo, iniciado em meados do séc. XIX, que desenha o Barreiro Moderno, é parte muito significativa do perfil identitário da nossa terra, como já afirmámos na 7ª Etapa desta Breve Viagem ao Barreiro.
Porém, o destino industrial do território, que hoje constitui o concelho, estava traçado há muitos séculos como o prova a Estação Arqueológica da Ponta da Passadeira, no Lavradio.
Por esta via da actividade industrial, o Barreiro desempenhou um papel pioneiro e de relevo nos processos de desenvolvimento que Portugal foi sofrendo ao longo dos séculos. O seu contributo é significativo a nível regional, nacional e internacional.
O Período da Expansão Marítima está decisivamente ligado à actividade industrial do Barreiro, servindo os desígnios da corte e da sua política expansionista. Neste período as zonas de Palhais e Telha são uma imprescindível e grande retaguarda logística, senão vejamos.
Fornos Cerâmicos da Mata da Machada
Os Campos Arqueológicos realizados na Mata da Machada, sob a direcção técnica e científica do Dr. Cláudio Torres, puseram a nu um dos vários fornos cerâmicos existentes. O espólio recolhido é de tal forma importante que Cláudio Torres afirma que o Barreiro possui, hoje, a mais importante colecção cerâmica dos séculos XV e XVI, referida às tipologias encontradas no local.
Nestes fornos eram produzidas as formas para a purga do açúcar, designadas de pão-de-açucar, destinadas em exclusivo, à exportação, bem como as formas do biscoito.
Complexo Real de Vale de Zebro
Como já referimos na etapa dedicada a Palhais este complexo é aqui instalado no século XV e era constituído por vinte e sete fornos para produção do biscoito, cais de embarque, armazéns de cereais e um moinho de maré de oito moendas, o maior a trabalhar na época.
As formas do biscoito, produzidas nos Fornos Cerâmicos da Mata da Machada, serviam para a produção do biscoito - um pão ázimo, cozido duas vezes, resistente à deterioração e que constituía o alimento base do Terço da Armada Real, dos Fortes de Costa e das tripulações durante a Empresa da Expansão Marítima.
António Sérgio afirma que nos armazéns deste Complexo cabiam nove mil moios de cereais (uns sete milhões e quatrocentos mil litros) número que nos dá bem a dimensão e a importância da produção do biscoito na altura.
Construção Naval – Feitoria do Rio da Telha
Durante o período da Expansão e até finais do século XVIII teria existido na zona da Telha, Azinheira Velha, uma Ribeira das Naus do Coina. Por ser zona abrigada permitia os trabalhos de construção naval durante o período do Inverno. A sua actividade foi grande durante toda a Empresa da Expansão Marítima, como o indica a troca do nome do rio pelo da localidade – Ribeira da Telha ou Feitoria do Rio da Telha.
E esta crónica já vai longa e ainda nos falta falar da Real Fábrica de Vidros Cristalinos de Coina e das diversas Unidades Moajeiras que se foram instalando ao longo de séculos, pelo que desdobraremos esta crónica em duas, prometendo na próxima semana falar destas indústrias.
Agora iniciemos a visita ao Barreiro, mas antes atentemos no significado do topónimo – Sítio de onde se tira Barro e Barreira.
Nos arredores da Freguesia surgem os topónimos Barreiro Pequeno e Vinha do Barro. O primeiro surge em 1483, nos arrabaldes do Barreiro, para os lados do Alto de Sta. Bárbara, actualmente Bairro Operário da CUF. Relativamente à Vinha do Barro era uma fazenda que ficava entre o Bairro das Palmeiras e o Alto Seixalinho.
No Alto de Sta. Bárbara existia uma olaria que fabricava Tijolo e Telha. Todos estes aspectos nos levam a acreditar na relação entre a palavra Barreiro e a formação geológica do terreno como justificação do topónimo.
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ALBURRICA: em primeiro plano a Caldeira do Moinho do Cabo (séc.XV/XVI), à esquerda parte da ruína do Moinho de Maré. À direita, o Moinho de Vento Gigante (1852), tipologia única no País, situado no denominado Cabo de Pero Moço (Cabo da Lenha, desde o séc. XIX e depois Alburrica). Mais atrás está o Moinho Pequeno Nascente, o Poente encontra-se encoberto. São todos propriedade da Câmara. Ao fundo, a Estação do Caminho de Ferro do Sul e Sueste (1884), projecto do engenheiro Miguel Pais. |
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ASSOCIAÇÃO BARREIRO – PATRIMÓNIO, MEMÓRIA E FUTURO
14.06.2010. 14:34
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