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7ª
Etapa: Stº António da Charneca
Estamos de despedida. A Viajem está quase a chegar ao fim e nas duas etapas que nos restam, vamos tentar descrever, a traços largos, o perfil identitário desta nossa terra.
No golfo do Tejo que dá pelo nome de “Mar da Palha”, frente a Lisboa e aconchegado à borda-de-água, situa-se o Barreiro. Sensivelmente trinta e cinco quilómetros quadrados, rodeados de água e sapais por três lados menos um, tal como aprendemos ser uma península.
A Sul… o Rio Coina, vindo da “ Serra Mãe”, abraça o Tejo junto a Alburrica. E o brilho e esplendor, que a palavra significa, enchem o nosso olhar no contra - luz dos dias.
A centralidade no estuário, a proximidade à Capital, a boa acessibilidade dos Rios Coina e Tejo, o reforço desta centralidade com a construção de uma nova acessibilidade ,agora, ferroviária ( séc XIX) e os recursos naturais determinaram que quase tudo o que pode ser transformado pela força humana, aqui frutificasse –das redes de pesca às salinas, do vinho ao vidro e à cerâmica, da terra lavrada à metalurgia, da madeira aos produtos químicos, dos moinhos à cortiça, da indústria naval à ferroviária…
Unidades produtivas manufactureiras, proto-industriais e industriais com tecnologias de primeira linha em cada momento e importância nacional e internacional, com relevo para os período da Expansão Marítima e Industrialização, configurando uma identidade fundada no trabalho especializado e na multiculturalidade.
O vigor das unidades produtivas especializadas instaladas ao longo dos séculos determinou o lugar de destaque que o Barreiro sempre ocupou nos processos de desenvolvimento do País.
Cada elemento deste percurso é sinal do esforço colectivo das gerações que nos antecederam e nos seus quotidianos de trabalho, lazer e luta foram guardando e reinventando a herança, que devemos respeitar por razões culturais identitárias. “Um pano de fundo” indispensável a uma compreensão do presente e lastro identitário do nosso futuro.
E neste percurso salientaremos, na próxima crónica, alguns aspectos ligados ao Complexo Real de Vale de Zebro ,à Ribeira das Naus na Telha, à Real Fábrica de Vidros e Cristalinos de Coina, aos Moinhos de Vento e de Maré, exemplos significativos de instalações industriais anteriores ao processo de industrialização que se inicia em meados do séc XIX .
Processo marcado por três momentos e por uma cumplicidade entre urbanização e industrialização: construção das oficinas e terminal da CP; desenvolvimento da indústria corticeira; instalação do Complexo Industrial da Companhia União Fabril.
Façamos, então, a nossa penúltima visita, desta feita rumamos a Stº António da Charneca.
A primeira referência ao lugar surge numa “Carta de Quitação a Affonso Monteiro, Escudeiro da Casa Real e Recebedor dos Fornos de Vale de Zebro, nos anos de 1505, 1506 e 1507”. Datada de 1520,esta carta refere a existência na Quinta dos Corvos de uma Capela em honra de Stº António, construída pelo próprio Affonso Monteiro.
| Coreto de Stº António: estrutura em ferro com base em alvenaria, inaugurado em 1933. Este Coreto, o do Lavradio e o do Barreiro atestam as fortes tradições musicais da terra ligadas às Sociedades Filarmónicas centenárias, como a Sociedade Filarmónica União Agrícola, 1º de Dezembro em Stº António. |
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| Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico, nº1: construída em 1936 pela Câmara Municipal do Barreiro, reaproveitando materiais da antiga Capela de Stº António da Charneca. Possui na frontaria um friso em azulejos “Arte Nova”. |
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ASSOCIAÇÃO BARREIRO – PATRIMÓNIO, MEMÓRIA E FUTURO
07.06.2010. 15:59
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