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Segunda Etapa: St. André
Antes de iniciarmos a visita e não faltando ao prometido, vamos a mais dois dedos de conversa. Antes do 25 de Abril, excepção feita ao Portal Manuelino da Igreja da Nª Sr.ª da Graça, já classificado em 1922, o Barreiro não integrou a política do Estado Novo preocupada, em exclusivo, com o restauro dos grandes monumentos facilmente associáveis à História de Portugal, o que de certa forma justificou o alheamento entre a população e a sua história. No Barreiro não há castelos nem grandes palácios...
Por outro lado as transformações associadas ao desenvolvimento vertiginoso do concelho, desde os finais do séc. XIX com a instalação dos Caminhos de Ferro, das Corticeiras e da CUF, bem como o desenvolvimento urbano que acompanha o processo de industrialização ao longo do séc. XX, apagaram muitas das marcas do nosso passado, favorecendo também este alheamento.
Nestes trinta e seis anos de vida democrática por vicissitudes várias, algumas ligadas ao atraso generalizado dos vários sectores da vida em Portugal, só muito recentemente as questões da História e Património locais integram a agenda do desenvolvimento harmonioso das sociedades. Só agora, a ideia da participação colectiva, da necessidade do conhecimento e compreensão do passado como forma de construir o futuro e afirmar uma identidade, se colocam com maior clareza, dando razão a todos os que sempre têm defendido, em minoria, esta mesma ideia.
Mas estaremos todos, no Barreiro, preparados para assumir esta responsabilidade colectiva? Conheceremos suficientemente a nossa história e identidade? Conheceremos as responsabilidades inerentes a cada organismo e instituição? Conheceremos bem os nossos direitos e deveres de cidadãos? Com estas interrogações que aqui vos deixamos, interrompemos o nosso diálogo por uma semana para iniciarmos uma breve visita a St. André.
O território que hoje constitui esta freguesia esteve muito ligado ao mar. Muitos ainda se lembram dos bacalhoeiros saindo o rio Coina para, em perigos nos dori, os pescadores capturarem, nas terras do mar do norte, o bacalhau.
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Azinheira Velha: neste local no Período da Expansão Marítima existiu um estaleiro de construção naval de primeira linha - rectaguarda logística da Ribeira das Naus, em Lisboa. À esquerda vemos a Quinta da Caldeira ou Quinta do Padre Hymalaia. Neste espaço laboravam dois Moinhos de Maré: o do Maricote (séc. XVI) e o do Duque (séc.XVIII). O Moinho do Maricote terá, talvez, pertencido a Pero Quaresma, almoxarife dos fornos de Vale de zebro e escudeiro do Mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge de Lencastre. Na Azinheira Velha foi instalada em 1891 a Parceria Geral de Pescarias, mais conhecida como Seca do Bacalhau. |
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Telha Velha: topónimo ligado ao período áureo da Expansão Marítima. Neste lugar ergueu-se a Ermida de Stº André. Desde o estaleiro da Ribeira das Naus ou do rio da Telha até à Seca do Bacalhau este espaço esteve sempre ligado às gentes do mar, mas também à agricultura, alguns ainda se lembrarão das Quintas dos Arcos e das Canas. |
Associação Barreiro Património Memoria e Futuro
02.05.2010. 23:22