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Vamos Salvar o Património Ferroviário do Barreiro MUSEU VIRTUAL |
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O MOTIVO PATRIMÓNIO FERROVIÁRIO DO BARREIRO Na última Assembleia Municipal do Barreiro foi discutida e votada uma recomendação da Autoria do Bloco de Esquerda e uma moção da CDU sobre o pólo ferroviário, linha do Sado e património ferroviário. Participaram na discussão, Deputados Municipais dos vários partidos, tendo no entanto sido feitas algumas afirmações menos precisas, que, em última análise, revelam alguma falta de conhecimento sobre o património, e sobre os ferroviários. A propósito do património ferroviário no Barreiro, Isidro Heitor, Deputado Municipal eleito pelo Partido Socialista, afirmou que: “…. já existe uma Secção Museológica em Estremoz, para onde terá sido enviado muito material do Barreiro, quando havia material, hoje não há material”. Afirma aquele Deputado, que já foi ferroviário. Ora, se assim é, ou foi, revela que não conhece de facto a história nem a realidade ferroviária. Com efeito, o que se passa é que foram 150 anos de história do Caminho de Ferro e foram exactamente os ferroviários quem ajudou com a sua participação, a construir o Barreiro, tal como ainda é hoje.
Reza a história que o Barreiro era uma terra de vinhedos e olivais, pequenas fazendas e grandes quintas, de terras arenosas e pobres, extensas praias fluviais de areia dourada e um rio generoso. É esta terra que os primeiros construtores do Caminho-de-Ferro vêm encontrar em 1854/55.Não se pode passar simplesmente uma borracha sobre o passado, ignorando os homens que fizeram história e construíram um património cultural, arquitectónico e industrial, que alguns teimam em negar, ainda existe no Barreiro. Segundo o Sr. Deputado não existe material para fazer um núcleo museológico. Tal afirmação não corresponde inteiramente à verdade.
Existem ainda hoje, dezenas de locomotivas a diesel que actualmente estão fora de serviço e parte delas se encontram já bastante vandalizadas e que não vão ser vendidas a preço de sucata para a Argentina. Estas encontram-se espalhadas na rotunda e no Barreiro terra.
Dezenas de outras peças de menor envergadura, material das oficinas e outros, encontram-se ainda no Barreiro, podendo e devendo fazer parte do falado Património Ferroviário, cuja existência o Sr. Deputado, alegadamente ex-ferroviário, desconhece.
É evidente, para quem quer ver, que o Barreiro detém ainda um enorme património Ferroviário.
Os quais, através dos seus instrumentos específicos de trabalho, como é o caso do célebre “J “, contribuíram para a construção da memória colectiva de um Povo, o Povo do Barreiro, a que acrescentam o colorido das suas histórias e aventuras, pois qualquer Ferroviário tem sempre uma “estória” para contar. “Estórias” feitas de trabalho, labuta, luta, dor, mas também muitas alegrias e orgulho de pertencer a uma classe profissional que mudou a face do Barreiro, a partir de 1854.
Não podemos igualmente esquecer a intervenção cívica de muitos ferroviários, ilustres anónimos, que fundaram (e, nalguns casos ainda participam) a Associação de Classe Metalúrgica e Artes Anexas, em 1903, formada essencialmente por operários Ferroviários. Ou os que fundaram a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste; a Casa dos Ferroviários, actual sede do Sindicado dos Ferroviários, actualmente já em processo de degradação; a Cooperativa Cultural Popular Barreirense e o Instituto dos Ferroviários; o Grupo Desportivo dos Ferroviários que tem tido enorme importância ao nível do Desporto Nacional.
Será que tudo isto não constitui material mais que suficiente para fazer um núcleo museológico Ferroviário ?? Um Núcleo que seja mais que um simples armazém de máquinas antigas, cheias de pó e que abre uma vez por ano como é o de Estremoz.
Um museu vivo onde os ferroviários reformados possam ajudar a reparar a automotora 101. Um museu vivo onde se possa organizar viagens turísticas de comboio a partir do Barreiro com material diesel já fora de serviço.
Um museu vivo onde sejam relembradas as artes e ofícios, e memórias de muitos ferroviários, que, no fundo são também as memórias colectivas de um Povo. O nosso Povo. José Encarnação Cidadão Ferroviário |