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Pólo Museológico do Barreiro ( virtual ) - Os Ferroviários e o diesel em Movimento Área do depósito de locomotivas, Rotunda, Armazém Regional, Oficinas.
A – Grupo Oficinal do Barreiro (EMEF) B – Rotunda coberta C – Armazém Regional 1 – Linhas afectas ao antigo depósito A partir do dia 6 de Junho de 2004, o depósito de material de tracção do Barreiro, deixou de ter relevância, culminando na sua extinção. Os comboios de longo curso do Sul passaram a ter origem e chegada na estação de Lisboa – Oriente. A tracção desses comboios passou a ser eléctrica, contribuindo para a extinção de uma significativa percentagem do parque de material diesel da CP. Assim, o depósito de locomotivas e carruagens (junto às gares da estação) passaram a albergar as locomotivas que entretanto foram abatidas ao serviço, bem como material rebocado sem utilidade comercial. Do Barreiro partiram os primeiros comboios que um dia chegariam ao Alentejo profundo e ao Algarve, encabeçando todas as linhas e ramais a sul do Tejo, desde cedo foi o principal depósito de todas as locomotivas que nelas circulavam. Assistiu o culminar da era do vapor, com presença das mais belas e potentes máquinas de ferro que circularam no Sul e Sueste, no princípio dos anos 60 chegariam as máquinas diesel, e até aos presentes dias, o Barreiro foi e continuará a ser a sua casa pois é aqui que são realizadas todas as operações de reparação e manutenção deste material no país. Espera-se a conclusão da electrificação do troço Pinhal Novo – Barreiro e uma nova perspectiva de modernização da unidade oficinal do Barreiro, para acompanhar o desenvolvimento das novas tecnologias aliadas aos comboios modernos, assegurando a continuidade dos saberes e experiência aplicada ao material diesel. A realidade ferroviária faz parte da memória e da identidade do Barreiro, assim num contexto de interesse público e nacional, classificar-se-ia o património ferroviário do Barreiro. O abate indiscriminado de locomotivas e automotoras afectas ao parque diesel da CP, levou ao seu abandono, permitindo o vandalismo e roubo de peças que agora inviabilizam o funcionamento, caso flagrante é o da locomotiva Alco 1501, estacionada recentemente na rotunda do depósito, e em consequência de uma vigilância inadequada, foi vítima de vandalismos. Trata-se da locomotiva pioneira da tracção diesel em Portugal, e prestou serviço no Sul durante 40 anos. No mesmo estado encontram-se congéneres da mesma série, nomeadamente locs. Nºs. 1505, 1510 e 1524, sendo esta última, a única sobrevivente da segunda série (1521-1525). A série de locomotivas “EE1800”, também toda abatida comercialmente no Barreiro, encontra-se no estado idêntico das locomotivas “Alco 1500”, foram juntamente com as “Alco 1500”, as locomotivas mais emblemáticas da tracção diesel em Portugal. De origem inglesa, foram durante muitos anos procuradas pelos turistas ingleses, e utilizadas em comboios de aluguer. Hoje em dia resta a 1805, parada no interior das oficinas do Barreiro, correndo o risco de tornar o seu funcionamento numa reparação dispendiosa. A estas junta-se as recentes automotoras “Nohab 0100”, de 1948, recentemente abatidas, bem como as unidade remanescentes da série “Brissoneau 1200” as primeiras a serem adquiridas por Portugal no quadro do consórcio EUROFIMA, e ainda um exemplar da série 1100, o tractor GE 1111, que efectuou durante muitos anos as manobras no depósito. Devido à escassez de material rebocado para contemplar a história do parque de locomotivas já abatido nas imediações do depósito, urge a necessidade de tomar as devidas precauções para retardar a degradação do material e reduzir os custos posteriores na reparação tendo em vista o funcionamento do mesmo. O núcleo do Barreiro a criar, deve funcionar em sintonia com o programa do MNF – Museu Nacional Ferroviário, com sede no Entroncamento. Os edifícios presentes na área envolvente do depósito de máquinas, nomeadamente o armazém regional, a rotunda de locomotivas e áreas desafectadas das oficinas, constituem espaços adequados para exposições sobre a temática ferroviária. Assim, seria possível preservar a memória dos ferroviários, a história oficinal do Barreiro, e todas as profissões que foram criadas pelo caminho de ferro. É do maior interesse dotar a velha rotunda com locomotivas em estado de marcha, para num futuro breve organizarem-se viagens históricas nas linhas a Sul e Sueste. Tendo em conta que o Barreiro foi sempre considerado como a “Catedral do Diesel” pelos ferroviários, devem ser recuperadas as unidades térmicas restantes, que embora históricas, apenas têm como futuro certo, a venda a sucateiros. O encerramento criminoso de muitas linhas no Alentejo, a regressão das indústrias do Barreiro e o abate indiscriminado de locomotivas, tractores e automotoras levou à morte lenta deste depósito e de toda a sua azáfama característica. Vasco 2006 |